Seções

Cultura

Direitos

EcoLógica

Em Movimento

Enfoque

Entrevistas

Horóscopo

Lazer & Cia

Saúde & Beleza

Símbolos & Dias

Integração

Enquetes

Links Legais

Sua Opinião

ponto de encontro

colaboração

pesquisas

 
 
 
 
 
Entrevista
 

Gozai muitíssimo!!
Entrevista com uma butch descolada

    Na segunda enquete que colocamos no ar, perguntamos a nossas leitoras qual o tipo de mulher que preferiam (andróginas, femininas, masculinas ou qualquer tipo). 
As femininas levaram nítida vantagem, mas o que nos chamou mais a atenção foram os comentários depreciativos em relação às masculinizadas. 
    Considerando esses comentários no mínimo discutíveis, resolvemos dar a palavra a uma butch (uma sapata masculinizada), a butch F. do blog Uva na Vulva para que nos explique o que é que as butches têm que os homens não tem. Para arejar e divertir.

Míriam Martinho
_______________________________________________________

 

Qual seu nome (pode ser o nick), idade, formação e profissão?
R: Butch F., 49 anos, superior incompleto, atualmente trabalhando com informática. Natural do Estado Rio de Janeiro /Rio de Janeiro.

Quando e  como surgiu o Uva na Vulva? Qual a proposta de trabalho?
R: O Uva Na Vulva é o resultado de um encaixe perfeito, de corpos, sentimentos e idéias, entre uma butch e uma femme, Butch F. e  Femme C. Nossa proposta era a de gerar informação a partir de nossos conhecimentos e, também, de nossa própria experiência, pessoal e de vida.

Por que uma página específica sobre sexo entre mulheres? Existem outras?
R:Justamente para poder passar e multiplicar essas informações. Também para discutir, desmistificar, valorizar, dar visibilidade e até mesmo glamourizar, o amor, o sexo, a sexualidade e o erotismo, nos relacionamentos entre mulheres e no universo lésbico como um todo.

   Que eu saiba, na época em que começamos, há uns dois anos e meio mais ou menos, não existiam outras páginas dentro desse formato. Mesmo hoje, ainda acho que somos muito carentes em comparação com o que já existe por aí, infelizmente quase tudo em sites de língua estrangeira - nesse caso refiro-me a sites lésbicos de um modo geral, mas também, e, principalmente, aos voltados para o universo do sexo e sexualidade lésbica. Exemplos:
Susie Brigth -http://www.susiebright.come Fairy Butch -http://www.fairybutch.com- , duas experts, americanas, e muito famosas em assuntos desse gênero. Também faço uma ressalva aos sites e blogs portugueses, maiores em número, eu acho, e muitas vezes mais antenados e arrojados que os nossos -nesse caso refiro-me a sites e blogs GLBT de modo geral e não só específicos sobre sexo/erotismo  ou sexualidade lésbica. Neles, o que chama a atenção é a visão, geralmente mais ampla, e o conteúdo bem mais rico e menos “cute, cute”, que eles trazem do universo GLBT. Aqui as opções também são muitas, mas nada que uma busca rápida no Google ou mesmo no Sapo -http://pesquisa.sapo.pt  por “blogs lésbicos” ou qualquer coisa do gênero não aponte. Exemplos: http://www.portugalpride.org/blogayesfera - “A mais completa e atualizada listagem de blogs gays, lésbicos, bissexuais e transgenders em Portugal”.

O que é ser uma butch e ser uma femme?
R: Ser butch é ser mulher antes de qualquer coisa. É mesclar o melhor da energia feminina ao melhor da energia masculina criando um gênero de essência impar, apesar e além de aparências ou comportamentos normalmente MAL-conceituados como sendo exclusivos do SEXO masculino. "Femmes, são mulheres que se sentem atraídas por mulheres, mas que gostam e não abrem mão do papel tradicionalmente feminino criado pela sociedade. Muitas vezes, femmes se sentem atraídas por butches e vice-versa, mas simplesmente porque esta parece ser uma boa combinação de energias, e não porque desejem imitar modelos heterossexuais. “ (Susie Bright)

Qual a diferença entre uma butch e um homem? 
R: Pra mim, TODAS. Butches não são e nem querem ser ou parecer homens. Não são transexuais /transgêneros, transgressoras sim. É preciso entender que essa energia que convencionamos chamar de masculina não é exclusividade só de homens.

Você não acha que as butches e femmes reproduzem os velhos papéis sexuais de homem e mulher, ativa e passiva?
R: Claro que não. Sexo, SEXUALIDADE e gênero são coisas completamente distintas. Quem disse que toda butch é ativa ou que toda femme é passiva? Essa obrigatoriedade não existe. Na cama cada uma procura sua identidade, que nem precisa ser fixa e nem ter necessariamente nada a ver com o gênero nem mesmo com o sexo genético de ninguém. Conheço homens completamente passivos na cama e mulheres que são ativíssimas. Quem pensa que na cama devem existir padrões e papéis fixos está engessado, e fazer sexo engessado ou com alguém assim deve ser um horror.

Até que ponto o que se faz na cama não se reflete no cotidiano das pessoas?
Você falou, por exemplo, que as fem
mes adotam o papel tradicionalmente feminino criado pela sociedade. Esse papel determina que a mulher seja passiva na cama e no dia-a-dia, que seja sustentada por outra mulher a quem deve obediência em menor ou maior grau. Tenho uma colega chegada num SM básico que diz que o problema é que algumas mulheres confundem a horizontal com a vertical, ou seja, se são subs (submissas) na cena SM querem ser no cotidiano também. Você acha que no caso butch e femme se corre esse risco? Antigamente, na época das fanchonas e ladies, isso acontecia mesmo. E hoje como rola isso?
R: Mas as cabeças mudaram, evoluíram graças a deus! E esse papel, esse comportamento também mudou muito de lá pra cá. Mulheres não são mais submissas, nem no sexo nem em seus relacionamentos, sejam homo ou hetero. Quem não acompanha isso é retrógrado, está desatualizado, e isso não pode ser bom.
   Sobre como as coisas funcionam dentro de uma relação SM, posso  falar pouco ou quase nada. Sei apenas que nesse caso a submissão faz parte do jogo erótico/sexual, mas não que necessariamente tenha que refletir na vida cotidiana dessas pessoas.
    Respondendo a pergunta: Bem, eu diria que não. O que se faz na cama, em regra, não precisa refletir no cotidiano de ninguém. Tanto que não é raro ouvirmos queixas do tipo, “Que decepção! A butch era tão machona e na hora da cama se revelou uma “ladie”, totalmente passiva.” (risos)
    Reflexo de cama no cotidiano, pra mim, só se for no estado de humor. Sexo bom, bom humor. Sexo ruim, mau humor. Ou na pele, dizem que sexo bom deixa a pele ótima! (risos)  

Existe muito precon-ceito contra mulheres masculinizadas no meio lésbico. O que acha disso e como resolver?
R: É, infelizmente existe sim. E esbarramos com ele toda hora. E eu acho péssimo. E acho também que na maioria das vezes esse preconceito é fruto principalmente da falta de esclarecimento, da desinformação. Pré-conceituar, estigmatizar e principalmente generalizar as lésbicas masculinas todas dentro desses estereótipos de caminhoneira, barraqueira, feia, cafona, vulgar, encrenqueira, agressiva e outros adjetivos do gênero, é burro, ultrapassado e extremamente preconceituoso. As Cássias (Eller), Vanges (Leonel), Ellens (DeGeneres) e muitas outras, todas butches, todas lindas, maravilhosas e bem-sucedidas, estão aí para desmistificar isso. Imagino que a melhor maneira de lidar com isso é como estamos fazendo aqui, levantando e discutindo o assunto. Informando e esclarecendo.  

Você acha que as lésbicas brasileiras são conservadoras quando se trata de falar de sexo? E de fazer? Como você avalia a cama das lésbicas brasileiras?
R: Sim, muito, e as duas coisas. E não só as lésbicas, mas principalmente elas. Mas já melhorou bastante, muitos tabus estão se dissolvendo. Acho que o primeiro passo é sempre falar, muito e sobre. Buscar e trocar informação também. Abrir a mente e, claro, praticar. Mais coragem, meninas! Prazer não é pecado é um direito. E que pertence e está ao alcance de todas. 

Como você vê as relações sado-masoquistas (dominadoras e submissas) entre mulheres? Existem grupos de lésbicas SM no Brasil?
R: Normal. Vejo como vejo qualquer outra prática, sendo consensual e dando prazer... E aí caímos no velho e bom clichê do "qualquer maneira de amor-e de amar-vale a pena". Quanto a grupos de lésbicas SM, não tenho essa informação. Sei que existem muitas lésbicas praticantes do SM, mas nunca ouvi falar de algum grupo que fosse especialmente delas.  

O que você acha do uso de brinquedos sexuais nas relações entre mulheres?
R: Acho que é um plus e tanto. Sou uma adepta! Pode não ser essencial, mas com certeza é especial.  

Você acha que deve existir um padrão de relações sexuais entre mulheres ou na cama o que deve prevalecer é a fantasia que leve ao gozo mútuo?
R: Nada, absolutamente nada, deve estar engessado a padrões. Fantasia é tudo. Gozar é o máximo. E tudo deve ser experimentado, saboreado e plenamente compartilhado.

Por fim, deixe um recado para nossas leitoras e obrigada pela entrevista.
R: Beijos pra todas, ou, como dizia a Femme C., gozai muitíssimo!

Mais informações:
BUTCHES E O PRECONCEITO DENTRO DO PRECONCEITO", no post de 10.05.05 >>>

http://uvanavulva.erosblog.com.br/index.php?m=200505

www.uvanavulva.com.br

Acesse também
http://www.darkplay.net/intro.html e baixe um vídeo erótico lésbico.  

Quem lê esta entrevista lê também BDSM entre lésbicas
 

Entrevistas Índice

Comentários
Nome:
E-mail:
telefone:
Cidade:
Estado:
País do exterior

Deixe seu comentário sobre o artigo acima

 
 

Comentários

Um Outro Olhar On-line © 2004-2008 Rede de Informação Um Outro Olhar
Todos os direitos reservados.